terça-feira, junho 30, 2009

Comer, Rezar e Amar.

Hospedei minha amiga querida Memeca Moskovich no final de semana passado.

Conversa aqui, ali, cafezinho, comidinhas, carinhos, família reunida entre outras coisas de mundo profissional, urgências de decisões a serem tomadas, caminho aberto, livre entre outras coisas e ela me disse assim:

Não posso sair daqui sem te comprar um livro.

"Comer, Rezar, Amar

Elizabeth Gilbert"

Li todinho. De uma vez. Como acontece com os livros que gosto de ler. São pessoas. A gente senta vai conversando, se encontrando e lamenta demais quando eles terminam, porque parece que a pessoa tá indo embora. Mas livros são como as pessoas que a gente tem de vez em quando. Elas estão sempre ali ao alcance de um olhar.

Deus existe nas mais simples planilhas do dia a dia.

A minha busca é a mesma de Teresa D'Avila, de Elizabeth Gilbert, de Gandhi, de Jesus.

Claro, Jesus buscava tanto que nos encontra a todos ainda atônitos depois de dois mil anos.

Simples, original, nada dogmático. Gostei demais desse livro. Até escrever o meu. Como tenho feito todos os dias. Meus livro vivido. Testemunhado e muito bem cantado.

Me impressiono com os detalhes do amor semeado e cultivado neste mundo por um Deus que cria e é de fato "mestre e guru". Aquele que nos obriga amorosamente a caminhar sozinhos.

Quando o discípulo está pronto o Mestre Desaparece.

A energia amorosa é perdão e consistência. É pra sempre o que a gente quer, mas nunca é a paz de romances cor de rosa que a imprensa apregoa.

A energia amorosa é hoje mesmo tudo quanto tenho a mão. E é mais infinita amanha.

Eu me perdoo por todas as vezes que quis ensinar o amor.

Aprendi e sigo.

segunda-feira, junho 15, 2009

escrito em 26/09/08 - achei no rascunho...


que dificuldade tão grande essa que eu tenho em admitir minhas lentes multicoloridas.

admitir que vejo a vida com cores que muitas vezes ela não tem.

admitir que as paisagens e os olhos das pessoas são o que eles são e não o que vejo deles.

mas pra que admitir meu Deus? se todos querem as lentes que eu uso?

pra que se os textos são tão mais incompreensíveis assim?



escrito em 25/11/08 estava no rascunho...


sonhei que tudo estava resolvido.

o dia de hoje estava resolvido.

sonhei que tive coragem de me dizer não. sonhei que tive coragem de me dizer sim.

sonhei que largo meu vício para você largar o seu.

a estrada é solitária para quem enxerga com os olhos da matéria.

toda uma rede de amigos estão juntos tentando, pedindo, se esmerando para que eu esteja aqui agora mesmo.

domingo, junho 14, 2009

Meta

Nos tornamos sem paz quando não lembramos
da nossa meta ou do doador desta meta.
A meta é empacotar tudo e tornar-se pacífico.
Às vezes, em vez de lembrar da meta, lembramos
de outras coisas que nos tornam fracos.
Mas se há qualquer tipo de fraqueza não seremos
capazes de enfrentar aquilo. Mais e mais
situações virão para nós porque assumimos a
responsabilidade de transformar o mundo.
Nosso sinal é o de sermos inabaláveis, não importa
o quanto alguém tente nos fazer tremer.

Dadi Janki

domingo, junho 07, 2009

tarde de domingo

Época de hoje

ultima página - coluna da Ruth de Aquino sobre o acidente aéreo. Uma senhora de 48 anos que completou 25 de um casamento feliz no ano passado, perde o marido num infarto fulminante a 3 semanas. O filho de 23 que veio pro velório do pai, volta pra Paris no voo acidentado. a jornalista sem saber o que fazer recorre ao psicanalista Luiz Alberto Py para conseguir algum consolo. Ele diz o seguinte:

"O que a gente teve não perde. As lembranças estão dentro da nossa memória. Quando uma tragédia assim acontece, o que se perde é o prosseguimento, é o futuro. E o futuro é virtual, uma expectativa de algo que damos como certo, mas não é. Não se perde o passado. Isso pode parecer meramente racional e é, porque a emoção não se traduz. Não se perde alguém que existiu. O que se perde é uma expectativa. Isso não é consolo, mas pode ajudar a retormar a vida. Pensar não no que perdi, mas no que tive o privilégio de viver. O passado precisa ser uma referência para a gente se nutrir. E não para se lamentar. Há várias formas de conviver com a saudade."

Esse consolo tirou umas poeiras da minha cabeça e eu escrevi de imediato, sem saber onde iria parar:

E eu aqui pensando estar só neste processo de racionalizar o sentimento...

Nessa minha estranha pressa de não morrer em vida, fico pasma!

Vejo acontecer diante de mim uma batalha épica. Recheada de mitos. Só eu mesma pra ser capaz de vizualizar. Nada acontece por acaso na vida de ninguém. Muito menos os encontros.

Me retirei do campo de batalha antes mesmo de pensar sobre o assunto.

E fiquei junto de mim como a artilharia nos ouvidos de seu general.

--Senhor! Temos tudo para ganhar. Conhecemos o inimigo. O terreno. Podemos fazer o resgate em segurança. Nosso objetivo está em nossas mãos.

E o general respondeu:

--Não estamos mais em batalha.

Basta. Não há o que retrucar. apenas reconhecer e com o passar dos dias verificar o nível de confiança que temos no general.

Eu decidi a retirada antes de consultar as bases.

Descubro em mim uma infinitude de humildade, segurança, credibilidade.

Lutar contra tiranos é a batalha mais vil que o ser humano pode pensar em travar.

(É muito fácil passar a ser um deles)

Só o tempo.

Um povo se liberta de seu tirano com maturidade.

Eu me libertei com intuição.

Você se liberta por escolha. Tudo muito sábio, consciente e devagar. (demais pra minha paciência)

Mas eu aprendo. Já aprendi tanto!

Há sempre tanto a aprender.

O general em mim sabe que vai enfrentar o ódio da possível quebra de confiança, de quem devia ter, se sabia estar sendo libertado e não foi.

Para todos os fatos históricos há muitas leituras.

As manchetes nos dois países falam de baixas, perdas, mortes, aberturas de trincheiras e vitórias.

Mudamos de planeta quando perdemos alguém.

Mas eu sou aquele general aparentemente humilhado, feminino, por não seguir adiante.

Eu sei que morte, separação, crescimento, dimensões, são formas reducionistas de ver o todo.

Enquanto o tirano pensa que venceu eu rezo para que tudo aconteça da forma mais flúida e rápida.

As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam.

Não somos os únicos a optar. Nada em nós depende ou pode esperar pela vontade alheia.

Eu já entendi que o amor, o carinho e a segurança podem prejudicar tanto quanto a ausência deles.

Todos passamos por situações de ajuste.

Estou em paz com minhas escolhas por causa da fé.

Eu jamais desisti antes. A única separação que importa é a morte. A última das ilusões.

A confiança é o elo que não se quebra.

É a semente que replanta tudo quando a vida segue seu curso, a poeira das vaidades baixa e os generais repousam suas cabeças sobre o peso das opções que levam à mortes, vidas, abandonos, seguranças.

A história da humanidade acontece no meu jardim.

Só me resta a memória de jardineiro.




Virtudes

Se eu fico pensando sobre as fraquezas de alguém, posso ficar irritado. Me sinto aborrecido e fico imaginando: "Por que essa pessoa tem que ser desse jeito? Por que ela faz isso o tempo todo?" Por outro lado, se eu fico pensando sobre suas virtudes, começo a me sentir leve e fácil com minha mente. Então posso ser influenciado pela doçura dela. O mundo é um show variado e o papel de cada um é diferente.

Brahma Kumaris, Just a Moment, Mount Abu, 1996

sábado, junho 06, 2009

Introversão

Introversão

Quando olhamos uma árvore frondosa, repleta de galhos e folhas, dificilmente lembramos que um dia ela foi uma pequena semente. Da mesma forma, quando a expansão das dúvidas e dos problemas acontece em nossa mente, a semente fica escondida. Ficamos emaranhados nos ramos da árvore e esquecemos a semente. A semente é a essência, o código da nossa existência. Ela contém todo o potencial inato do ser. Ao acessá-la encontramos as respostas para todas as nossas perguntas.

Brahma Kumaris

quarta-feira, junho 03, 2009

acabei de dar uma aula pras minhas idosas.

que incrível!

eu agora aprendi como se faz pra ensinar. a mágica não precisa acontecer somente quando eu estou ali. plantada a semente a mágica permanece e gera frutos.

hoje eu vi isso acontecer na minha sala. aquelas mulheres nunca mais vão precisar de mim pra estarem encantadas. eu não sou mais aquele estado de espírito inatingível. elas já se acessaram.

também não preciso ir embora, me afastar, para que elas se testem sozinhas e sejam felizes. melhor ainda estar comigo agora. eu posso ficar. cada segundo constrúido vai ser melhor.

eu passei um dia sem fumar. só um dia. me senti traída no trato e quebrei minha parte.

mas agora, voltando daquela aula, agradecendo a Deus mais esse veú retirado, mais esse salto de consciência, eu enxerguei o porque que tenho mesmo de parar de fumar.

é a minha parte que tenho de cumprir. independe de quem quer que seja.

sou eu comigo mesma. basta entregar o cigarro para que tudo o mais aconteça.

logo cedo hoje eu lembrei que a graça de Deus é pessoal e intransferível, igual ao amor de predileção que Deus tem por cada um de nós, ainda mais um pouco pelos preferidos.

quando ele concede a graça ela paira sobre nós esperando aceitação. e fica lá, não vai pra lugar nenhum, não passa adiante. apenas é nossa. aceitando, ela nos toma e percorremos o trecho seguinte do caminho.

e assim eu me sinto agora. aceito a graça e encaro o desafio de parar com o cigarro. apenas porque eu quero continuar coerente com tudo quanto tem me acontecido.

encontro em mim uma calma, uma paz, um sentido pleno de comunhão. eu fui muito feliz nestes dias passados aí do teu lado. sim, eu sei que tu pode me ler.

eu fui totalmente livre. pra sentir medo, amor incrível, vivi apaixonadamente. eu só encontro em mim a mesma alegria de amar apaixonadamente, apenas amar, me entregar sem receber em troca e o que eu recebi foi tanto. tanto.

poxa... ninguém nunca alcançou a dimensão do teu olhar pra mim. o teu olhar sempre me amou primeiro. no meio da maior confusão, das mentiras, das ciladas, nos destemperos, dos erros, dos acertos, da música, da energia trocada, teu olhar foi a mãozinha solitária a me guiar nos meus momentos mais sozinha. teu olhar pra mim te guiou enquanto tu nem sabia onde estava indo.

ninguém tem o direito de questionar isso. ninguém nunca teve nem terá o direito de tirar de ti a chance plena de olhar, de me olhar daquele jeito. e agora, que eu acolhi a graça, eu vejo bem. ninguém colocou aquele olhar ali. o teu olhar pra mim é teu. teu olhar que melhora o meu.

e eu acordei com a sensação da nossa sintonia totalmente intacta. por isso eu me lembrei da graça unica e intransferível. nossa sintonia é uma graça concedida por Deus. ela sempre estará ali. por isso a gente não fecha portas.

acolho todas as graças que Deus me quiser doar. estou aberta pra vida melhor que começou já tem um tempinho. o mais, eu mesma construo. de contra-partida.

tudo será assim como o sorriso que vi no teu orkut, quando passava pelo micro da Belo hoje de manha. Tu colocou teu rosto, teu sorriso, teu olhar ali. e foi um sinal muito forte que recebi.

obrigada. obrigada por cada segundo de vida que eu vivi junto de ti. que eu vivo e que eu ainda viverei.

eu só tenho a alma grata. muito grata. infinitamente grata.

amém

terça-feira, junho 02, 2009

minha despedida pra voltar pra você.

somos durante um bom tempo na vida, crianças emocionais presas em corpos de adultos.

competentes profissionalmente, criaturas humanas de complexo e magnífico caráter e lisura.

pessoas lindas, apaixonantes, totalmente inacessíveis.

a criança emocional impede que o adulto seja tocado.

quando nós, os adultos encontramos essa criança bem nutrida, birrenta, impaciente, que usa todo tipo de artifício para obter justamente o que quer nem que para isso gere uma dor de amor profunda em outros humanos já repletos e conscientes que sem querer se deixam levar... (como dizer não a um homem que traz dentro de si um criança de beleza infinita?), nós nos obrigamos a faze-la crescer.

a dor é inimaginável. No meu caso, uma criança que tinha tudo. o aconchego do pai, seu colo, sua proteção e sua atenção totais. da mãe um cuidado muito além do imaginável. a mãe me supriu os desejos mais pequeninos, enquanto me ensinou a ter tudo quanto podia tocar.

foi muito difícil sair fora dos dois abraços tão apertados. tão seguros. foi uma morte necessária.

a criança emocional cresce muito rapidamente nos adultos que se arvoram a começar a trilha.

e não tem mais volta. é lindo ver esse crescimento. e a única fonte mantenedora do passo a passo que dá um reviravolta e o adulto se encontra pleno da noite pro dia, enquanto do lado de fora nada muda além do que ele já perdeu pelo caminho é a beleza do ganho, que elimina as perdas.

é bom lembrar de todos com quem nossa criança brincou, manipulou, usou e de repente não quis mais.

o adulto que trazia essa criança jamais soube o que é seu corpo ser tocado pela energia sexual.

o começo dessa sensação de crescer passa pelo encontro numa cama aconchegante e cheia de amor.

eu vivi isso e espero que você também viva enquanto eu me calo.

como vc me pediu. vc conseguiu me calar.

e esse silêncio é bom demais. bom demais até para que eu o divida com alguém.

mas o amor que gera este crescimento, no nosso caso, é poderoso demais.

ele cura tudo. segue paulatina e corajosamente o caminho nos guiando no meio do escuro, do rancor, da paz, da alegria. o amor nos rouba do colo de nossos pais e não nos permite mais o engano da segurança. Numa outra fase a gente volta pro colo deles numa beleza mais terna ainda. mais tranquila. mais verdadeira.

eu torço para que o meu silêncio alimente esse amor.

porque eu entendo cada segundo desse processo. e como eu tentei lhe explicar, passei por ele sozinha. cada lágrima era uma flecha e pisar na ferida pra seguir em frente fazia com que o buraco se fechasse.

tirada a poeira, arado o terreno é o momento de se deixar plantar.

"arrancadas as ervas amargas, o campo prepara sem medo ou rancor, a colheita da flôr encantada que ainda se chama amor".

esse é meu tempo de curtir a vida. a hora chegou.

terça-feira, maio 26, 2009

para meu mestre com carinho

Era uma vez uma história.

Existe no Rio uma menina chamada Nana.

Ela ama música e criou uma lista de internet chamada m-musica.

Assim sendo, quando eu ainda era pequenina, gravando meu primeiro trabalho musical em cd, com véus e mais véus a cobrir meu entendimento, meus olhos e ouvidos eu entrei na m-musica. Conduzida pela Nana, segurando a minha mão.

Isso porque a história é longa, tem muito detalhe antes e depois, mas heis que um dia Zé Rodrix entrou nessa história, ou melhor, nessa lista, ou melhor nessa vida. Na minha.

A Nana e a m-musica tinham um detalhe pouco ortodoxo. As pessoas da lista não se escondiam. Elas cultuavam o encontro real, pra além do virtual, para muito além do “olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem?

Depois do convívio com a m-musica numa altura dessas já internacional, eu fui à São Paulo á convite do Raul Correia pro primeiro encontro da m-musica em São Paulo.

Lá eu conheci a Etel e o Rafael Altério, e o Ricardo Moreira, a Consuelo de Paula, O Elder, a Cris, todos que eu estava conhecendo, pela primeira vez.

Cheguei assim pra esposa do Raul, a Vera e perguntei: aquela moça de cabelos brancos é sua irmã? Não, é a Júlia, esposa do Zé Rodrix. Logo depois a Júlia veio bater papo pra virar irmã de vida inteira. Ali também estavam a Bárbara e o Tunico, o Roger e a Bia que eu já conhecia do Rio.

De madrugada, bem 3 horas da manha, chega Zé Rodrix, vindo de um show do Trio no interior. Faz aquela entrada triunfal que só ele sabia fazer e senta ao piano pra tocar “Onde os anjos não ousam pisar”.

Neste momento eu me escondi no ombro do Luís Hermano, lá na varanda. Chorando e me falando: Que momento, Deus meu!!!

Eu já trocava e-mails na m-musica, timidamente, mas depois da entrada do Zé, algo me aconteceu.

Durante as brigas, os ressentimentos, o “egos chorados e chorantes” daquela época na lista, eu escrevia em PTV pro Alan e pra Nana. Gente, como é que a gente faz? O Zé não pode deixar a lista, ele mudou a minha vida. Eu sou uma antes de Zé Rodrix entrar na m-musica e outra agora, depois da entrada dele.

Nesse final de semana, o Zé me buscou num almoço, me levou na casa dele, fiquei lá acho que umas 2 horas. Bastou pra ter encontrado uma família que me adotou e a qual eu não largo nunca mais na vida.

Em setembro do mesmo ano a Júlia veio aqui e passou uns dias comigo. Em outubro ou novembro daquele ano teve o segundo encontro da m-musica em Sampa, na casa do Lufe. Dali, onde pela primeira vez ouvi “Fronteiras do Amor”, na voz da Tânia, com o privilégio de acompanha-la no teclado, eu sai diretamente pra minha primeira estada na casa dos Rodrix. Eles nunca mais me deixaram pernoitar na casa de seu ninguém em Sampa. E adotaram meus amigos, onde antes eu ficava, como seus amigos mais leais. Segundo o Zé, pra eles não ficarem se sentindo preteridos, he,he,he, Foi nesta segunda seguinte que eu fui conhecer o Caiubi, junto de Zé Rodrix, que a convite do Sonekka estaria recebendo uma homenagem. Eu voltei pra Fortaleza e o Zé nunca mais largou o Caiubi.

Foram muitos anos de convivência. A leitura da trilogia, os e-mails, a saída dele da m-musica. A Virada interna de ser criança pra ser gente grande responsável por meus próprios pensamentos e atos.

Véus e véus sendo retirados à medida que guiada pelas mãos de Deus através das mãos daquele mestre eu ia chegando à vida. Oh vida boa!!!!!

Comecei a compor ali na sala da casa dele. De repente eu já estava com um cd pronto pra ser gravado e somente com canções minhas. Em julho no ano passado o Zé me arrumou um trabalho em Sampa e disse assim: Vc volta em agosto com a Clarissa e tudo o mais vai acontecer.

Eu decidi diferente. (Se arrependimento matasse...!!!)

Entre tantos detalhes e como este é apenas um e-mail, porque eu preciso dizer pra quem me ama que eu estou bem, nós chegamos aqui: à madrugada em que a Bárbara me liga pra dizer que o pai dela foi pro céu.

Eu garanto a vcs que eu não queria ir. Eu fiquei apertada de enterrar mais um pai, quando eu sabia que tudo quanto eu não queria na vida era ver meus tão amados amigos, passando por tão profunda dor. Pra quem não sabe: 22 de maio, dia em que o Zé partiu é o dia em que meu pai também partiu a exatos 25 anos atrás. Eu tinha 18 anos, mesma idade que tem hoje a Bárbara...

Eu fui, gente!

O Raul me levou.

E levei o derradeiro carão dele. Quer dizer, o derradeiro até agora, porque eu sei que assim como meu pai, o Zé vai aparecer em sonho, em momentos pra ralhar comigo de novo e sempre e se Deus quiser eu sempre vou precisar. Porque todo dia a gente acorda mesmo é pra crescer.

O corpo do Zé chegou lá no local do velório e a Bárbara não quis vê-lo. Eu disse a ela que precisava daquele momento e fui até lá. Quando eu cheguei próximo e ia começar a falar com ele, rezar sei lá, daí eu o vi. Não com estes olhos, mas eu o vi e ouvi e ele disse assim:

“Maria Aparecida, o que vc está fazendo aqui? Isso não é lugar pra vc! Essa é minha casca. Minha casca está aqui para todos aqueles que tiveram contato com ela. Você teve contato COMIGO. Saia daqui agora mesmo e vá para onde eu estou. Perto dos nossos amigos!”

Eu nem contei pipoca, sai de perto da “casca” e voltei pra junto da Bárbara pra contar a ela o que tinha acabado de acontecer. Ela disse assim: Ta vendo? Precisava levar mais esse carão? Não te falei pra não ir?

E assim é o Meu Mestre. He,he,he,he,he,

Voltei pra junto dos amigos, todos eles embriagados pelo momento.

Mas eu percebi uma coisa na energia de todos nós. Estávamos numa só sintonia.

E me veio à cabeça o seguinte. Aquela era nossa festa de formatura. Estávamos todos recebendo o diploma de final de curso. E todos fomos aprovados com louvor. Peito aberto, lindos e entregues à própria sorte. E era tudo muito capaz, possível e feliz. Estávamos por conta própria, formados e conscientes do caminho a seguir. Cada um com seu cada qual.

Pensei mesmo estar doida. Mas é isso.

O Zé sempre disse: Quando o discipulo está pronto o Mestre aparece. Sonekka acrescentou bem ao estilo do Zé. Quando o discípulo está pronto o Mestre DESaparece.

Meu Mestre querido, Deus me tirou dois pais no mesmo dia. Mas... a Mariana sua filha me explicou que o número 22 é o mais importante da cabala, significa final de ciclo. A ultima letra do alfabeto hebraico. Encerrado o período. Até na hora de partir vc foi coerente.

A ultima máxima que você me passou pessoalmente nas ultimas férias que passei na sua casa foi essa: a busca do ser humano deve ser por coerência total entre: pensar, falar e agir.

Você chegou lá, muito rapidamente porque sagitariano tem pressa. Eu agradeço profundamente a Deus, porque você se doou para que todos nós tivéssemos uma vida melhor e agora você tem essa vida bem melhor. Sem a casca. O ultimo dos véus retirado. Consciência plena da criação. Deus quando criou você não estava entediado. E ele aprendeu muito durante a sua vida e sorriu muito com suas peripécias e apenas o colheu.

Nós, seus frutos, infinitamente inferiores, e aqui vc me daria mais um carão, seguimos plantando. Juntos, impregnados da sua garra e coragem.

É com uma imensa dor no coração, ou seria profunda alegria, que eu digo a vcs, ou digo a mim? Que essa história não acabou. Muitos séculos adiante ainda se escuta a canção e ainda se cultivam casas no campo com amigos e filhos de cuca legal, com livros e discos. É uma história sem fim. Uma eterna história.

terça-feira, maio 19, 2009

lembraças de novo

1982

Vinil da Simone. (que eu esqueci o nome...)

Ouvi uma vez e bastou.

Decorei, ensinei, cantei em shows pequenos, rodas de violão.

Eu amo essa canção!

Tão simples, tão direta. Tão realista.

Hoje eu ouvi o Paulinho no Canal Brasil falando de uma urgência que o persegue. Arrumar seu interior, já que nunca consegue arrumar o externo. Ele faz trabalhos na madeira, tenta ser lutier, pega o violão e fala assim: Eu toco e tento arrumar... Tento minimizar, tento chegar.

e toca a minha canção

Retiro

Meu tempo às vezes se perde
Em coisas que não desejo
Mas não repare esse lado
Pois meu amor é o mesmo
Nos momentos de carinho
Eu me desligo de tudo
Nos braços de quem se ama
É fácil esquecer o mudo

Às vezes eu me retiro
E nada me faz sentido
Só há um canto na vida
Aonde eu me refugio
Afasta as sombras que eu vejo
Nos teus olhos tão aflitos
Você conhece minh'alma
E quando quer me visita

segunda-feira, maio 18, 2009

vidaquedesceladeirasemnuncapararprachegar

vento no rosto
pra que enxergar
demorou vidas pra subir e agora
acontece rapidamente
sorrindo consigo sentir
o gosto adquirido de realizar

nada deverá ir tão devagar ou tão rapidamente

tudo acontece de forma segura e controlada
nem dentro do meu peito

não engoli a vida pra ser digerida aos poucos
nem fui engolida pra ser degustada
eu sou pura miragem
criada a partir dos próprios sonhos de quem ousar me ter

se um dia eu fôr embora
é apenas dos meus sonhos de menina
quando um sonho fica real
parece que foi embora uma parte do solb
mas que nada
era um fa#
o tempo inteiro

você foi quem não viu

quarta-feira, abril 29, 2009

lembranças de novo

Jabuti Fonteles, músico, compositor de Parnaíba, morou no Ceará na década de 80 e 90.

Hoje mora na Alemanha.

Eu fiz vários shows com ele em começo de carreira e fui platéia de outros tantos shows que ele fez na cidade.

Final de noite, a galera reunida em algum barzinho:

Vai Jabuti, canta aquela!!!

Era essa...

Ouvi hoje no final de tarde da Fm Universitária!

Coisa boa além da conta, relembrar o quanto uma música vale..


Suspeito


Arrigo Barnabé e Hermelino Nader


Você tem medo de fazer amor comigo
Você tem medo de acordar com um bandido
E ver no espelho escrito com batom:
- Tchau trouxa, foi bom!


Você não sabe de onde eu tiro o meu dinheiro
Você não sabe o que eu faço o dia inteiro
E esse mistério destrói a nossa paz
Ah, não posso mais


Não me pergunte nada, me deixe apenas vendo
Seu corpo lindo vindo para mim


E não se esconda tanto pois o seu corpo chama
Um outro corpo solto sobre o seu que eu bem sei
É o meu


Você suspeita que eu não seja um bom sujeito
E não entrega seu amor a um suspeito
Mas mesmo tentando jamais conseguirá
Não me desejar

sábado, março 14, 2009

lembranças...

De vez em quando eu coloco aqui músicas que me chegam aos ouvidos como ecos do passado.

E lá tou eu de volta em 1982.

O vinil da Simone me chega como tábua, rasa mas salvadora e eu me apaixonei por todas as canções sem distinção.

Hoje, essa canção do cearense Sérgio Sá passou o dia inteiro me tocando por dentro. E foi bom demais saber que eu sabia a letra total e completamente.

Tá aqui, é essa:

Olho do Furacão
(Sergio Sá)

Esta cantiga
É pra se cantar
Quando a gente se esquecer
De que está vivo

Quando não houver
Mais nem por que chorar
E o mundo se arrastar
Melancólico e passivo

Esta cantiga
É pra se cantar
Quando a única saída
For o abismo

Quando a gente não puder
Mais enxergar
Além das barreiras
Dos nossos próprios conflitos

Esta cantiga existe
Pra cantar a vida
Par de asas pro infinito
Labareda que se espalha

Chama forte o fogo bravo
Que provoca nossas forças pra lutar
Degelando corações
Reunindo bandeiras, paixões
Pra cima, pro meio
Pro olho do furação


Super, não é?

Injeção de harmonia, vontade de seguir colocando a alma na ponta dos dedos dos pés, que é pra sentir o caminho como quem cheira o amado.

Essa sou eu.

sexta-feira, março 13, 2009

acabou aquele tempo em que eu escrevia aqui e recebia uma resposta lá.

acabou o tempo em que vidas separadas caminhavam juntas à espreita.

acabou o tempo em que sinto sua alma pulsando em medos e acertos. aquele tempo em que você olhava e compreendia. e aceitava. e esperava sem fim.

acabou a vida nessa via.

agora nada tem endereço certo. eu só sou eu porque preciso. e a cada momento é mais necessário.

minhas leituras são ordinárias. nada mais de alusões ao que nos rodeia. o porque de tudo.

estamos todos bem. somos todos agora mesmo.

e eu confio no futuro que é presente.

eu confio no sorriso daquela canção que canto agora e sempre.

destino é quase nada quando eu sei estar viva agora mesmo.

e saudade não existe. todos existimos ao mesmo tempo. sem geografia.

os relevos do meu corpo são lampejos entre o ontem e o agora.

eu não te vejo mais.

quando próximos isso acontece. é natural.

eu não te leio mais.

estamos no palco. somos.

não sei absolutamente do que falo. natural.

sorrio.

confio.

sábado, fevereiro 21, 2009

carnaval do recife

maracatu, afoxé, frevo...

gente, gente, gente...

energia pura que dá conta do ano inteirinho.

tou aqui de novo! a força do coração pedindo música e emoção e amizade e carinho e compreenção e silêncio preenchido com música, com dança, com bebidinhas tímidas.

Ninguém é de ninguém e meu coração se fortalece!

As ruas do Recife Antigo me tomam como quem diz: passado? é presente.

As fotografias antigas ganham novas cores, os passos se reconhecem num emaranhado de sensações. eu escuto tanto! quase os pensamentos. os meus estão nos olhos, no caminhar, na leveza de cada segundo.

Meu corpo todo se pinta com as cores que nunca vi. de dentro pra fora, de fora pra dentro.

Eu bem queria demonstrar mais a alegria que me toma nestes dias nesta terra.

E dançar com o sabedoria do corpo da Mariana. Mas ao ve-la dançar é como se eu dançasse.

E eu canto, canto mesmo, pra que eu mesma ouça.

Recomeço é todos os dias. E lembro de alguém falando: A palavra só tem força enquanto é escrita, depois ela fica por ali...

A palavra é uma lei sem ninguém pra fazer valer.

Mas como toda lei ela tem mais é de ser descumprida, abalada, reciclada e acompanhar o passar do tempo no frevo do Capiba.

As coisa passam, umas permanecem, não tenho nenhuma vontade de permanência, ou de volta, ou de qualquer juízo de valor.

Eu quero mais é cantar por cem anos:

"Voltei, Recife!
Foi a saudade que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura" na rua abafando
Tomar umas e outras e cair no passo

Cadê "Toureiros"? Cadê "Bola de Ouro"?
As "pás", os "lenhadores" O "Bloco Batutas de São José"?
Quero sentir a embriaguez do frevo
Que entra na cabeça depois toma o corpo e acaba no pé"

e depois mais cem anos e assim vou vivendo.

Porque a vida é agora. Por dentro de qualquer confusão que possa lhe tomar.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Eh vida...

Roda Viva

Chico Buarque



Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

sábado, janeiro 31, 2009

zé menezes e simone guimarães

eu tenho de dividir duas grandes alegrias noturnas. Aconteceu ontem a noite.

Cheguei ao Teatro José de Alencar por volta de 18,30h pra assistir ao show do Zé Menezes, 77 anos de música pelo mundo.

Adelson Viana no piano e acordeon, Tarcísio Sardinha -7 cordas, Márcio Resende - sopros e Luisinho Duarte - bateria e pandeiro. E ele, Zé Menezes ao bandolim e apresentando o violão, seu companheiro desde 1933. É! Vcs estão lendo direitinho 1933. Caraaaamba. O filho mais velho, segundo ele mesmo.
Gente, vcs precisam ve-lo de pertinho. Oh delícia! Ritmo, cadência, tudo no lugar certo, se é que é justo que eu diga somente isso. Choro, lamentos, homenagens ao Pixinguinha e muuuitas outras composições desse músico fantástico, sempre abrindo portinhas pro improviso do Adelson, do Márcio, do Sardinha e até do pandeiro do Luisinho Duarte. Tudo escrito, ele regendo, sentadinho, levantando quando a música o tomava num crescendo e um humorista radiante quando pegava o microfone pra falar, he,he,he,he,he,he,

É uma honra poder ouvir o Zé Menezes e ainda bem que ele continua fazendo show. Adelson quase não para de sorrir o tempo inteiro, o Sardinha se deliciando em tocar aquele material. Márcio Resende fazendo uns improvisos que tocava a alma da gente em mais um quinto além da composição em si e Luisinho Duarte segurando a energia do jeito que somente ele sabe fazer.

Oh delícia.....

Sai correndo de lá após a ultima música pra ver o último dia da temporada Simone Guimarães e Isaac Cândido no teatro do SESC Iracema.

Gente, eu me atrevi a escrever isso aqui pra vocês do Brasil todo, porque vocês não podem perder esse cd que está saindo pela Biscoito Fino e também os shows de lançamento que logo acontecerão por aí, pertinho de vocês.

Simone Guimarães completa e totalmente repaginada e feliz, feliz como eu mesma nunca tinha visto antes. O cd e o show são composições do Isaac Cândido e parceiros. O Isaac é músico e compositor cearense da minha geração. Alguns cds lançados quase sempre em dupla com Marcos Dias (O Gilvandro dele, eh,he,he,e)...

Cainã Cavalcante na guitarra, Aquiles na bateria (umas das mais educadas e sofisticadas batidas que já conheci), Miquéias dos Santos no baixo (show+show+show) e Tiago no teclado (conheci ontem, se garante o menino) e Isaac Cândido no violão e voz.

Simone encontrou a alma das canções do Isaac de uma forma que nem eu mesma que cantei algumas delas tinha antes vislumbrado. E o som a toma por inteiro. Ela sorri, dança, conversa aquele carinho dela (que eu também não conhecia), entre as canções e diz várias vezes várias o quanto o Ceará, pelas mãos do Isaac a fez renascer no momento atual de vida, inclusive musical.

Eu fiquei orgulhosa de ver as canções desfilarem direto pra alma do público que lota a casa a 4 sextas feiras e fiquei orgulhosa de ver o Isaac ouvindo, cantando, tocando suas canções tão lindamente.
Fiquei admirada, cativada, virei fã de carteirinha dessa moça Simone Guimarães tão forte, tão frágil, tão humana, tão verdadeira a cada som que produz. Eu fiquei feliz, feliz e muuuuito feliz e espero que vcs não percam este show por onde ele puder passar. Nem o cd.

Uma delícia à parte dentro do show foi a presença do Evaldo Gouveia. Evaldo conhece bem o Isaac aqui no ceará em suas andanças, ele ama a música que se faz no Ceará e sempre que sobre ao palco tem um, 3, 4 convidados. Outro dia ele me convidou e eu quase enfarto. Delícia...

mas... conhece a Simone dos tempos que ela passou morando em Brasília. Foi ao show porque viu os dois num programa de TV. Eles agradeceram a presença do Evaldo e o evaldo subiu ao palco e disse assim: Menino, me dá aí um violão, né? A gente tá aqui tão feliz....!!!!!

Eu disse pro Nelson Augusto: ele não sai mais, he,he,he,he, Dito e feito. Foi muuuuuuuuuuuuuuito bom! Mais de meia hora de Evaldo Gouveia com suas canções de todos os tempos e o mais gostoso, a platéia cantando junto. E não tinha muito velhinho por ali não.... tinha muita moçada, o que me deu mais alegria ainda. Cantei mesmo, todas que aprendi ainda criança, com meus irmãos e meus pais. Em seguida, ele chama Myrlla Muniz, cearense radicada em Brasília e a Myrlla ataca um Patativa junto com o Cainã, com direito à Simone improvisando no piano, Isaac improvisando no vocal, que foi muuuito emocionante.

Os dois, Isaac e Simone, com o tempo agulhando os pescoços e corações estiveram primorosos como anfitriões desta noite que eu não esqueço ainda em muito tempo. Só soube desse intermeso depois, conversas de bastidores.

Eu amo me admirar, me surpreender com música bem feita. Com alma na ponta dos dedos e alma na voz... Eu já cheguei nestes dois lugares sabendo esperar o bom e o belo. Mas eu recebi tanto a mais. Tanto. Agradeço tanto à Simone, ao Isaac aos músicos todos que mais uma vez abençoaram a terra. Uma hora de bençãos sem tirar nem põr e Deus ali, feliz da vida.

Como diz Zé Rodrix, tem muita música inédita no Brasil pra ser gravada, ouvida e gostada pelas pessoas. E isso a Simone tá fazendo, nem acredito que como ensinamento, não, ela não quer ensinar nada não. Ela quer ser feliz e está feliz e permanece por muuuito tempo.

Fiquem atentos, viu?

Não percam esta moça. E este rapaz que faz sucesso com propaganda enganosa cantando assim: "Hoje é sábado. É o dia dos bêbados. E das moças católicas. Que vão para a missa rezar pra tentar encontrar algum bêbado. Aquele cara simpático. Quando não está estático. Sentado na mesa de um bar a tentar encontrar algum método. De burlar o estético. De furar o ilógico. E de tentar conquistar uma moça que não sabe nada dos Bêbados. Aqueles caras exóticos. Quem misturam os tópicos. E que promovem o riso que eu sempre tentei mas agora estou Bêbado. Procurando os meus métodos. Misturando os meus tópicos. E tentando enganar os que não sabem nada de nada dos Bêbados."

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Pálida

Tavito/Aldir Blanc

Eu andei a vida inteira assim
Cintilando em despedidas
Meu buquê de sempre-vivas
Ou de margaridas num eterno adeus
Sensitiva, crio talismãs
E não perco a alegria
Canto como um passarinho
E, se o ar me falta,
Compenso em paixão
Toda feita de nuances
Morro como as flores dentro de um romance
Pálida, cálida, angelical.
Gosto de brincar, tranço de luar
Mortalhas pro meu aconchego
Pois morrer mais cedo é um jeito de pedir ao medo
Pra me dar sossego

Passa da meia-noite
E eu levitando vou decifrar
O que as constelações
Escrevem na escuridão
Lá do balé da luz
Vejo meu corpo adormecer
Cansada, só volto a mim
Na estrela do amanhecer

Sei que vivo de morrer
Por ter outra idéia na cabeça
De tanto brincar com a sorte
Pode ser que a morte canse e me esqueça.

terça-feira, dezembro 09, 2008

e agora

uma nuvem passou levando toda a inquietação.

ou será que a nuvem passou e eu enxerguei o sol?

sempre pensei que tudo fosse inatingível. pensava assim pra ter garra, disposição, empenho, energia, paixão pra conseguir chegar lá. Um lá meio horizonte, nunca se alcança mas sempre se chega mais perto e o caminhar já é o ganho.

Sempre acreditei que estar incompleta era necessário para se tentar a completude. lá vem o horizonte novamente.

Hoje, quando o mundo está de cabeça pra baixo eu encontro um título de filme que diz assim: Quando o mundo está de cabeça pra baixo se sinta sempre no topo.

E é justo por isso que escrevo.

O fundo do poço virou o topo do mundo e dá pra enxergar muito assim. Pelo menos até a próxima virada.

Dá pra deixar o exagero que me nasceu sagitariana pra caminhar estando parada com a exata dimensão de que tudo é aqui mesmo, agora, do jeitinho que está.

Eu não sei o que eu negava com tanta força. Não acho mais necessário saber. Sinto uma liberdade que me paralisa.

Tanto que tenho vontade de ficar calada.

Tem uns 3 dias que a ficha caiu, o cartão passou, a eureca acendeu a luz mais forte em cima da cabeça e eu nem sai gritando: Descobri tudo! a partir de hoje não me falta mais nada! Pela primeira vez na vida eu sei que...

Todo o discurso que usei pela vida afora, tão gostoso meu discurso, minhas palavras de descoberta pela primeira vez, não fazem mais o sentido que faziam.

Eu sinto falta desta criança feliz, orgulhosa, talentosa e muito primeiro lugar em tudo que eu sempre fui, talvez por milênios. Mas é uma falta boa, hoje me sinto meio mãe que conseguiu pôr uma criança hiper ativa pra dormir, sem nenhum esforço. apenas porque entendeu a dinâmica do comecinho de tudo. A paciência consigo mesma.

Me lembrei! Quando a Clarissa era bebê e ficava agitada que ninguém dava jeito, eu precisava acalmar o mais profundo da minha alma, sem porques nem talvez e ela se acalmava em seguida.

Hoje minha alma é mãe de família. A família dessa minha alma que tanto viveu, sofreu e foi feliz e é feliz.

A historinha do Rei Leão, o musical que acabei de deixar pelo caminho aconteceu dentro de mim mesma.

E eu já não preciso chorar uma dor ancestral que estava aqui dentro de mim por puro abandono. Eu assumo o meu lugar no ciclo da vida. Sem necessidades tão efêmeras assim e com tudo fazendo um sentido muito calmo.

Sou mestra de mim mesma e apenas isso e isso já é muito trabalho pra mim.

Enquanto meu mundo se cala e dorme o sono justo de uma criança cansada de espernear, eu me faço adulta. Mulher, sábia e compromissada comigo mesma. Só posso e dou suporte à mim. Me sou necessária e ninguém mais me aplaude ou ilumina.

A ninguém quero ou devo passar o bastão de minha luz interior, aquela que me dá brilho aos olhos.

E pela primeira vez em minha própria vida, eu sou bonita pros meus próprios olhos, sem o olhar externo de seu ninguém.

Estou de pazes feitas com a eternidade que eu tanto vislumbrei, exultei, namorei e não quis tão próxima.

O passado não me quer mal e não o quero mais tão perto como um fantasma estarrecido, querendo meu perdão.

O perdão banha tudo com água bem quente e a vida não se faz morna. A vida é fria, gelada, com brisa suave, com calor infernal, a vida é assim esta, do jeito que está. Cada dia mais normal que o outro e eu encantando a mim e a todos não mais por necessidade, mas apenas por sintonia. Por plenitude.

Eu aceito que sou eu quem fiz, faço e farei. Eu aceito, admito e realizo até que muito próximo, hoje mesmo eu estou satisfeita.

É isso. Não sei descrever o que aconteceu. Eu sou assim. E gosto de mim.

E sei que esta criança que eu sou e hoje dorme na hora certa pode acordar preu poder ter o frescor que sempre tive, na medida do necessário.

Agradeço a você por estar aqui me dando a mão quando é preciso. A você e ao mundo sutil onde os amigos estão sempre atentos e eficientes.

continuo a viver por pura confiança. O céu é esse que tá aqui por dentro e eu continuo querendo mais. Claro. Nasci assim sagitariana, aquariana, teimosa e muito confiável, he,he,he,he,he,

É isso!!!!

enquanto escrevo

tou precisando de mim.

me encontrar definitiva, mesmo que amanha eu seja outra.

odeio algo escondido e passei a vida desvendando mistérios fora e dentro de livros. talvez por ter me escondido tempo demais.

estava meio adormecida ontem quando ouvi um personagem de filme dizendo que não adianta esquecer o passado, esconder coisas e não lembrar mais porque infinitamente voltamos a percorrer a mesma estrada e a cometer os mesmos erros.

essa tristeza, essa vontade de entregar os pontos, essa necessidade de me recolher num hospital psiquiátrico e tomar remédios que entorpeçam a minha mente tem de ter um final.

a calma que tive até hoje por saber que eu estaria ali no final da estrada ou no final do dia pra me dar suporte está quase no final.

uma vez eu escrevi que a minha fé era um grande balão que muitas vezes abarcava o mundo inteiro e de repente ela vira um pequeno e apertado capacete que só dá conta de mim e muito mal...

são poucos estes momentos em que me sinto infinitamente sozinha. e compreendo, sempre compreendi que isso é uma oportunidade de crescimento. uma coisa parecida com um deserto da alma. o Getsêmane de cada um. aquele momento no horto das oliveiras em que Jesus ficou sozinho, cara a cara com a sua opção maior de ser ele mesmo em plenitude.

quem me dera ter a coragem que Jesus teve de ser ele mesmo até as ultimas conseqüências.

é difícil e doído, mas passar por isso é fundamental.

Oh coisa doida ser humano!!

E ainda assim otimista e sorrir.

Sentar no piano e espantar os fantasmas. Espantar a dor interna que não sei onde se esconde. procurar não é mais necessário.

Chega o momento em que o início dessa dor tem de vir ao meu encontro. Eu abraçando a mim mesma, a meus erros passados, as desilusões que custei e justamente com todas as minhas forças custo a admitir. enxergar. redimir.

ah como eu quero alguém que me dê à mão e me ofereça um colo. alguém que receba a ira que trago por dentro das entranhas do espírito a tanto tempo que já virou calo.

Pegue essa ira e leve embora transformada em testemunho de fé.

não nasci pra percorrer os mesmos erros e os mesmos acertos. nasci pra ir além retornando e fazendo jardins de notas musicais pra trás, pra frente, dos lados, em todas as dimensões.

o que eu quero não é o impossível. eu quero a dignidade de saber escolher, sabendo que fui eu mesma quem escolheu e não o pavor de não cometer erros.

eu quero uma verdade bem grande, uma alegria, uma delicadeza, eu quero a utopia do momento da criação, sem o desgaste da separação.

quero sentir a plenitude de não me reconhecer sozinha. porque não estou.

meus laços com o infinito sutil são tão vastos, tão largos, sinto tanto carinho me rodeando agora mesmo.

quero entregar, me entregar, que as coisas prometidas por mim a mim mesma aconteçam.

que o sal de minhas lágrimas seja tempero de minhas conquistas.

amém