terça-feira, agosto 26, 2008

e nós? somos arte

não é por vontade e pode até ser

não é por meta e até pode ser

eu admito

todo e qualquer amor não tem um porque, um senão, um retrato, um espelho

chegar aqui levou tempo

por vontade, por meta

admito

canto e sinto um poder de bomba atômica me cravar inteira

o único toque, meus dedos no piano

e jamais estou só

Deus, universo, dimensões

vastidão de passado e futuro se cruzam no momento, em mim

feliz? como não ser?

não por vontade e pode até ser

não por meta e até pode ser

existir é existir

momentos, pessoas, canção, arte, vida

o que tem de ser é.

verbo e poder

ainda preciso admitir não ser por vontade, ou meta

eu sou, você é

somos arte

sábado, agosto 23, 2008

chega o dia, sempre chega, em que a gente não quer nada.

não por já ter tudo.

apenas porque temos o necessário.

nem perto, nem longe.

até que eu descubra coisas novas sou muito feliz com o que tenho.

paz no passado, conselhos no presente, feliz no futuro.

Nada quero que já não seja meu.

pois nada tenho.

apenas me conecto e é tudo muito vasto, necessário, preciso.

sexta-feira, agosto 22, 2008

desenlace - francisco silvino

"eu só queria ter você por mais um dia
e quem dera esse dia não tivesse mais fim
eu so queria que você me gostasse
que vc mostrasse um carinho assim
eu só queria desse desenlace
que você voltasse bem juntinho a mim

tem dó, tem dó de mim
lariaê ...."

eu gravei essa canção a mais de 8 anos. hoje ela me amanheceu na lembrança...
nunca pensei em porque gravei, nem pra quem, só senti como se fosse hoje.
hoje ela é tão verdade, tão verdade, que até tive dó de mim, por não ter imaginado um dia a verdade assim... tão doce, tão bonita, e tão doída...

cantei pra você. faço bom uso do meu coração!

www.chadel.com.br/apa

tá aí o áudio.

terça-feira, agosto 12, 2008

pérola da internet

Isabel Allende é uma das escritoras que mais admiro, não só por seus livros, mas também por seu humor, sua trajetória de vida e sua força diante de dramas inesperados, como a morte prematura de sua filha Paula, 28 anos, que acabou lhe inspirando um romance biográfico emocionante.
Hoje Isabel vive feliz em Salsalito, Califórnia, com seu segundo marido. Lendo uma entrevista que ela deu pra Playboy, ri muito com suas declarações e uma delas me pareceu um verdadeiro achado:
As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. inútil procura-lo em outro lugar.
Ah, o ponto G, este paraíso secreto que leva o homem a explorações minuciosas. Tanto trabalho por nada. Não temos um ponto G, mas dois, um em cada lateral da cabeça. E não é preciso tirar nossa roupa pra nos deixar em extase.
Falem rapazes, digam tudo o que sentem por nós, assim, assim, isso...
Concordo com a autora da "casa dos espíritos".O melhor afrodisíaco é a declaração de amor.
Nâo aquelas mecânicas, faladas no piloto automático, mas as verdadeiras, sentidas, aquelas que os homens imaginam que basta serem ditas com o olhar e com as mãos. Ou ditas no silêncio. Nós fazemos questão de escutar também com a voz.
Como eu gosto de estar com você... esqueço do tempo ao seu lado, que horas são? que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor!
Caetano vendeu milhões quando cantou: "porque você me deixa tão solto, porque vc não cola em mim?"
As feministas mais ortodoxas devem estar bufando. Tanta coisa pra se exigir de um homem: mais espaço na política, mais ajuda em casa, salários iguais e nada de gracinhas nos escritórios, e vem essa daí clamar por palavras!...
Pois esta daqui acha tão interessante a idéia de igualdade entre os sexos que adoraria ve-los soltar o verbo como nós fazemos, expressar os sentimentos sem medo de ser piegas, afirmar e reafirmar diariamente como a gente é importante pra eles e que saudade estavam do perfume dos nossos cabelos.
Clichê em último grau, reconheço, mas quem quer ser moderna nesta hora?
Tudo que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino, os hormônios das mulheres saberão como agradecer.

martha medeiros


sexta-feira, agosto 08, 2008

teimosia

se um passarinho viesse me contar eu não acreditava
se meu cachorro ganisse preu ouvir, eu não entenderia
minha filha me gritando no ouvido e eu parei
mas ainda não era fé
a vida briga com a gente porque a gente briga com a vida

e desse rala-e-rola sai algo, alguém que desconheço
mas que me é muito bem parecida

alguém que me lembra alguém que um dia imaginei

o passarinho pode ser passarinho
meu cachorro deixar de ser analista
minha filha segue sem ser minha mãe

eu não quero escutar, nem entender
eu só quero parar um segundo e ser feliz pra sempre

sabendo mesmo que ninguém é feliz sozinho
e eu não sou ninguém
todo dia muda o caminho
todo dia um sol igual e eu dentro de mim em algum outro lugar
toda aparência trás em si uma urgência de permanência
mas eu sei que nada permanece por mais igual que seja

não coloque muita água nessa planta
você pode mata-la
você não regou como devia
ela está fraca, precisa de mais água

assim é o amor?
dia a dia?
assim sou eu?
como é você?

e como saber se não fôr o dia a dia a me ensinar?
cada dia um pouco de água
vida um pouco todo dia

uma vez por semana?
não sou orquídea
nem tampouco terapia
e há sempre essa pressa por vida continuada dentro de mim
o que me sai dos lábios é equilíbrio, filtro natural

mas o que posso fazer com o que você pensa que vê?
o que posso fazer com o que você não escuta?

eu dou conta de mim e parece que me basto
aparência.
há de se saber interpretar.

segunda-feira, agosto 04, 2008

no stress

faça de conta que domina a respiração zen.

faç de conta com muita verdade que não está ansiosa.

ansiedade? minha melhor amiga. fofocamos o tempo inteiro.

não a temo. sou ansiosa e quem não é?

não se atire nenhuma pedra.

mas porque isso tudo?

vamos mudar de vida, de cidade,nivel de aprendizado.

isso é ótimo. não doe.

nada vem antes do tempo!

no stress.

reze amiga. fique em paz profunda, paz de mar aberto.

na superfície pequeninas ondas pela forcinha do vento.

no mais profundo correntezas, vida, bagunça. tudo como deve ser...

no stress...

sábado, agosto 02, 2008

amor nas palavras

palavras de amor

o que são elas sem ação?

o começo do caminho

mas quando começa o caminho?

todo dia

então meu dia é uma palavra de amor?

exato. mais preciso impossível

formam frases as semanas. períodos os anos.

escrito o amor inteiro no final da vida

final do caminho

final?

mas quase nem começou...

a eternidade é sempre

agora, lá, aqui

as palavras de amor que eu não disse, quero dizer

as palavras de amor que eu vivo são suas

todas elas

as vírgulas, os pontos, expressão

tudo virando música pelo caminho

e vc vivendo sua própria palavra de amor

juntos.

exato. mais preciso impossível.

tudo na mais nítida imprecisão

quinta-feira, julho 31, 2008

Não entendo



"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma bênção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

segunda-feira, julho 28, 2008

dia de hoje

não entendo o que dá errado

nem entendo o que dá certo.

você dá voltas em mim como se eu mesma estivesse brincando com o tempo

mas com o tempo não se brinca

amo o que há de melhor em você

amo esse seu amor que me mostrou o que tenho de bom

amo esse seu amor que me fez me amar também

amo o momento em que tudo o mais se constroe porque sempre foi

estava escrito em algum lugar

e choro cada vez que por não entender isso tudo vira fantasia

e fantasia não é de verdade, mesmo que nela eu acredite

então prefiro seguir conselhos de um anjo

seguir amando o que tem de você em mim

não entender fica leve

não saber, distraído

a trilha existe

melhor seguir

ilha deserta - zé rodrix

A gente precisa de pouca coisa
Pra viver feliz e sossegado
Um barco à vela, um fogão de lenha
E uma cama limpa pra deitar quando se está cansado
Todo mundo nesse mundo
Preferia estar despreocupado
Falando pouco e pensando muito
Com uma pessoinha legal deitada do seu lado
Numa ilha deserta
Onde o vento só ventasse de vez em quando
Numa ilha, numa ilha deserta
Simplesmente vivendo, e sonhando
Mas se ilhas do mundo já tem dono
E você não entende bem porque
Separe tudo que lhe faz falta
E guarde bem guardado numa ilha dentro de você
(que la ninguem lhe segura)
(que la ninguem lhe põe a mão). ..

domingo, julho 27, 2008

roupa (vida) nova

vida que muda como quem muda de roupa.

escolhi.

dando conta de mim mesma.

o mínimo que podemos fazer é saber exatamente o que a gente quer.

o universo inteiro se encarrega de trazer tudo à nossa porta.

entendimento

paz

eternidade

calma

intensidade.

eusemvocênãotenhoporqueporquesemvocêsousódesamorumbarcosemmarumcamposemflôr...

sem você meu amor eu não sou ninguém.

disse isso um dia, voltei a me amar.

sei que dá certo?

"flôr de ir embora

é a flôr que se alimenta do que a gente chora

rompe a terra decidida flôr do meu desejo

de correr o mundo afora

flôr de sentimento

amadurecendo aos poucos a minha partida

quando a flôr abrir inteira, muda minha vida

esperei o tempo certo

e lá vou eu, e lá vou eu

flôr de ir embora eu vou

agora este mundo é meu".

mudar de roupa como quem muda de vida.

segunda-feira, julho 07, 2008

encantada

estou encantada com o tempo de agora mesmo.

céu, sol, nuvens...

tudo na medida do que tem de ser

do que tem de ser? na medida do presente.

da minha percepção descompromissada

desde que resolvi entender o que me pediam o mundo girou sua roda da fortuna.

não estou acima nem abaixo do que deveria. estou onde estou.

reconheço minha alegria e me encanto com tudo.

mas isso é simples. eu sou encantada.

me dizem assim: quando vc está relaxada vc fica séria, com cara de poucos amigos.

quando vc está apavorada ou tensa vc fica sorrindo, com o semblante mais leve que alguém pode ter.

herança de meu pai. chegasse a ele a maior tristeza, a maior loucura, o maior desespero e ele tinha uma incontrolável crise de riso. ninguém entendia nada.

morria alguém e ele dizia assim: já pensou? fulano de tal nunca tinha morrido, pois foi morrer justo hoje....

as heranças que a gente identifica muitas vezes nos ajudam a perceber o que os outros recebem e percebem a partir de nós.

não que eu tenha mudado o rumo da minha própria prosa e esteja com muita vontade de ligar pro que os outros pensam.

mas é compromisso: a verdade que há aqui pode chegar lá e vice-versa.

bem.... estamos aqui, juntos. e a vida se descortina.

domingo, julho 06, 2008

trilogia do templo

"O Eremita:
Embora me desse a certeza de que eu estava no caminho certo, ao mesmo tempo me impunha uma tristeza imensa. Eu ficaria cada dia mais só, se tudo corresse como devia: se não tivesse encontrado Felício, estaria perdido, desesperado, e sem ter com quem abrir o coração. Por mais que um homem esteja no caminho de conhecer-se a si mesmo, como preconizavam os gregos, é preciso que este auto-conhecimento seja dividido com alguém também disposta a abrir-se, para que, na troca mútua, ambos se enriqueçam. Não existe quem possa ajudar-se sozinho, e a figura d'O Eremita, com suas vestes longas e sua lanterna tentando inutilmente iluminar o crepúsculo de suas certezas, era por demais parecida comigo. Eu precisava partilhar de mim com quem me pudesse entender, e, por vezes o esforço de fingir era demasiado: eu me sentia empobrecido e degradado por ele, mesmo com a certeza de estar fazendo o que devia fazer."

fala de Esquin de Floryac

personagem do livro Trilogia do Templo - volume 3 - Esquin de Floryac - o fim do templo de Zé Rodrix. pag. 230

oportuno, muito oportuno

para além da curva da estrada talvez haja um poço
e talvez um castelo
e talvez apenas a continuação da curva da estrada
não sei nem pergunto
enquanto vou na estrada antes da curva
só olho para a estrada antes da curva
porque não posso ver senão a estrada antes da curva
de nada me serviria estar olhando para outro lado e para aquilo que não vejo
importemo-nos apenas com o lugar aonde estamos
há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer
se há alguém para além da curva da estrada
esses que se preocupem com o que há além da curva da estrada
essa é que é a estrada para eles
se nós tivermos que chegar lá
quando lá chegarmos saberemos
por ora só sabemos que lá não estamos
aqui só há a estrada antes da curva
e antes da curva há estrada sem curva nenhuma

alberto caeiro

domingo, junho 08, 2008

Para os sem namorado

Fabrício Carpinejar
Especial para O POVO

Perdi a chave de casa. A argola estava solta do molho, mas não tomei nenhuma iniciativa de contenção de portas em meu bolso. Deixei que a sorte me favorecesse.

Ao chegar ao apartamento, de noite, sem ninguém para atender, não localizo a chave. Procuro e procuro pelo casaco, calça e fechos da bolsa. Reconstituo o trajeto de costas, aliso o chão, cavo a neblina. Desesperado como um esquilo comendo. Os braços são joelhos brincando de morto-vivo. Não havia como me concentrar. Sempre que altero o esconderijo, me comprometo com um novo arranjo de dicas. Restava aguardar que alguém viesse mais cedo, sentar na portaria como um refugiado de enchente e continuar mentalizando: "onde diabos botei a coisa?" Tudo perde o nome e se transforma em coisa quando perco.

No extravio, somos obsessivos. Não trocamos de raciocínio, não deslocamos as visões, não conseguimos mais fazer o que tínhamos para fazer até resolver aquilo. Um breve lapso, e as conexões da rotina se interrompem bruscamente.

Doloroso foi o dia seguinte. Infernizar a agenda, mudar a fechadura, receber o homenzinho com as ferramentas, duplicar as cópias, entregar para a babá e dormir com a lição de que a pressa me envelheceu.

Novamente tranqüilo (castigo pago com juros), vou guardar a japona e apalpo um objeto pontiagudo no forro. Vejo que o bolso está descosturado no canto esquerdo. Agora que não preciso mais, recuperei a chave, com seus dentes rindo de escárnio.

É sempre assim.
A única vez em que dirigi sem carteira (ficou na cômoda e era tarde para retornar), fui parado por uma blitz. A primeira da minha vida, justo no momento em que não carregava o documento. Tenho o presságio de que a Polícia Rodoviária possui um radar de pânico dos motoristas. Os guardas enxergaram meu batimento fora do normal, e pediram para encostar. Apreenderam o veículo, e debocharam da minha verdade como se fosse uma mentira mal contada.

O encalhado quando caça também não acha seu par. Não é por ausência de vontade, talvez seja o excesso, a ansiedade, a pressão em resolver sua vida naquele instante daquele jeito (Encalhado mesmo é aquele que consulta a data de validade da camisinha).

Sente-se duplamente negado: por si e pelos outros. Parte da concepção de que os outros estão informados de sua abstinência e jejum. E o terrível é que a maioria realmente desconfia. O encalhado respira a falta de sexo, já pede desculpas com as sobrancelhas. Subentende que é um fracassado, camuflando o estigma da mão solitária com a protuberância de anéis. Desabafa no mais sutil cumprimento. Age como eu farejando a chave ou fugindo do policiamento. Com idéias fixas. Modelando a memória para diminuir a culpa. Censurando-se por ter perdido algo (sua idade, sua fantasia, sua ingenuidade).

Não dançará à vontade ou participará de discussões, tão coagido a eleger sua cara-metade. Não irá se divertir; converteu o namoro num pré-requisito do prazer. O encalhado não conversa, investiga. Não flerta, conduz entrevistas de candidatos. Pergunta o que exigiria anos de observação. Encurralado pela falta de tempo que é ter todo o tempo do mundo.

Aos amantes solteiros, pense em mim no Dia dos Namorados antes de chorar emprestado. Ao desistirem de procurar, é certo que vão encontrar.


Fabrício Carpinejar é poeta, autor de Um terno de pássaros ao sul (Bertrand Brasil, 2008) e Diário de um apaixonado (Mercuryo Jovem, 2008).

sábado, junho 07, 2008

pausa

queria a palavra certa

o instante urgente

queria a música que não acaba nunca

preu poder deitar meu canto no (a)braço do teu violão

quero ainda o tempo de música, carinho, verdade

o tempo onde não cabe mais nada além de compreenção

esbarro no sentido de cada palavra dita sem pensar

e com pesar me calo depois do silêncio se impôr

queria a palavra certa de torcer teu interior

torcer até pingar fora tudo quanto fôr secreto demais até pra ti

o que me cabe nessa canção é pausa

e na pausa não canto

sinto e silencio

sexta-feira, junho 06, 2008

saudade - edaduas

que coisa me ocorreu agora.

olha a grafia:

saudade e -da - duas!

pois é.

precisa de pelo menos 2 pra essa dona nos tomar.

e olhe que nem é o passado que me deixa com uma carinha de dar dó de mim.

é do futuro!

ando me arranhando por dentro de saudade.

me digo assim:

isso é bem problema teu.

me respondo:

ainda bem. sou duas. a interna e a externa. numa só.

faltam mais dois.

mas nem sob tortura eu falo aqui.

preu não ouvir, deve ser.

perguntas e repostas e eu sempre consigo dar conta.

essa saudade, idade, duas almas que não se encontram mas não se largam.

eu já sei que minha missão na vida passa por você. como quem precisa ser filtrada.

eu já sei que sem você eu vivo bem. eu sonho, produzo, me encontro, me entrego.

eu sei bem que caminhando com o vento, como tem acontecido eu vou já me desligar da sua presença, tendo você em mim como tenho sempre. Tendo você em mim, não preciso ter você.

que terrível e que maravilhoso. Não há limite. algum.

mas nada disso é bom. bom mesmo é saber que daqui a pouco eu lhe beijo. daqui a pouco você me liga e diz: tou com saudade de tu, meu desejo.

e eu sei que não preciso viver sem você. somente porque você me diz e eu acredito.

oh saudade, que coisa. escrevo e não passa...

pensei que fosse dar vida a essa página em branco e ela aquietasse esse constante roçar dentro de mim.

mas cada vez que a vida acontece, mais trabalho se apresenta. só não quero ter saudade de você do seu ladinho. nunca mais.

adeus saudade. não te preciso mais.

vou-me embora pro futuro, lá sou amiga do rei.

lá o rei somos nós.

quarta-feira, maio 28, 2008

continuando uma conversa que nunca tive - logicamente com você

Quem disse que peixe tem de entender o dialeto da rede?

Rede?

ah... era apenas um mal entendido...

eu queria, não posso deixar de dizer que queria te ver escrevendo novamente pra mim.

mesmo que tu não soubesse ou admitisse.

amor a gente reconhece

e hoje eu reconheci

cantar foi tão flúido, tão gostoso, tão intenso, tão desconhecido

um futuro ao alcance da mão

uma premonição virando aqui e agora

foi mágico, mas foi simples, sem magia alguma, foi mágico

apenas eu e aquele piano chamando atenção de pessoas que não sabiam nem de si, quando mais de outros....

um canto de sereia

serenando os corações, primeiro o meu, depois o dele, depois todos e cada um

meu coração sereno é sinônimo de amor

e eu nem sei te dizer que ligação é essa

que parece ligação nenhuma e é a primeira delas

amor

pleno de quem diz:

pouco me importo com qualquer um

o amor está em mim e ele se personifica

basta você tocar

em mim

mas sem tocar em mim o amor já existe

imagino, projeto, intuio, crio o dia em que a liberdade disso tudo que vivi hoje

se achegue de nós dois, se é que existe um nós dois

se esse nós dois fôr eu e você que nem sei quem é...

que chegue

mas eu creio, uma crença ancestral, de antes de mim aqui neste plano

que esse nós somos nós dois

e que o futuro não se apresse

porque tudo quanto é tão esperado tem tempo pra nascer

e os frutos são maduros, tenros, com gosto de nascimento em tempo de cheia

a colheita só existe pra quem planta. todos os dias cuida e rega

a vida faz isso em mim

em nós

por Deus que me sinto toda tomada

e que a lembraça desta plenitude me povoe os dias

o planeta precisa de mim assim

eu preciso de mim assim

semeada de nós dois

amém