segunda-feira, dezembro 21, 2009

Tão difícil acreditar que chegou o Natal.

De novo? Mas esse ano nem começou direito...

Eu agradeço como sempre, como não agradecer?

Mas não vou lembrar desse ano com carinho não.

Meu gosto pela ironia não chega a tanto.

Esse ano foi um longo namoro sem noção, que terminou sem noção e ainda assim eu achei muito bom ver o final, a ultima página do livro. Nada literal.

É necessário viver. Eu vivo mesmo assim. Vivi 2009 como quem segue os 12 passos do AA.

Um dia de cada vez.

Mas cheguei até aqui foi pra desejar Feliz Natal! Feliz 2010. Que a caminhada seja leve, duradoura, bem vivida e cheia das dores e delícias que todo ano deve ter. Mais delícias que dores, vamos combinar.

Peço muito discernimento ao Deus menino pro ano que inicia. Que a lembrança presente de seu nascimento traga ao povo brasileiro prosperidade constante, mas muito, muita boa vontade na hora de escolher quem veio pra ficar, ou quem vai estrear no governo do nosso país.

E que o sol não queime a retina, nem confunda com plumas e paetês  as minhas escolhas, assim como as suas, e que as nossas sejam bem fáceis de carregar, pois bem conscientes devem ser.

Amém

sexta-feira, dezembro 11, 2009

meu aniversário

nascer de novo a gente nasce todos os dias.

hoje mesmo ao amanhecer eu já agradeci tanto. por todos os detalhes da viagem, por todas as delícias e dores.

eu já agradeci pelos meus amigos, pelos meus mestres, por minha família.

agora eu agradeço a mim por ter tido tanto cuidado com o contrato assinado antes de vir até aqui.

desde a escolha de meus pais até a escolha de meus amigos.

se tive de aprender com lágrimas eu agradeço. se tive de aprender com alegrias agradeço mais ainda.

se tenho consolo de ter uma voz que me guia alma adentro, também a esta agradeço.

e hoje, logo mais tarde essa mesma voz minha vai ganhar um espaço cheio de luzinhas do Parque do Cocó, numa celebração à vida. Uma constante oração que vai perdurar por muitos momentos.

dia de nascer é hoje ainda mais reluzente. eu ganhei o sol de presente logo cedinho. todos os raios hoje são meus. olha que delícia!

eu sou bastante feliz e não tenho nenhum problema em espalhar isso aos quatorze ventos do infinito.

com um beijo me despeço e que venham ainda muitos outros dias de renascer.

amém!


domingo, novembro 15, 2009

poema para uma exposição

o quadro na parede abre uma janela
que dá para o outro mundo
deste mundo...

um mundo isento de rumores
e de mil flutuações atmosféricas
- alheio a toda humana contingência...

onde um momento é sempre
e o mal e o bem não têm nenhum sentido...

mundo
em que a forma também é a própria essência

Ó Vida
transfixada ao muro - e que palpita,
entanto,
num misterioso, eterno movimento!

MÁRIO QUINTANA

quinta-feira, novembro 05, 2009

mensagem clara pro infinito - beijo, me liga!

as aparências são as mesmas.

penso em você todos os dias. uma, duas três ou mais vezes. uma pergunta, uma resposta, vontade de contar coisas, ouvir muito. diário de uma paixão.

paixão passa. o amor me abriu portas e ainda deixou com bilhete carinhoso todas as chaves que vou precisar nessa trilha em todas as direções. caminhos infinitos.

você consegue viver sem mim, eu aprendo que é assim que deve ser e fico sem você.


se estivesse morto eu teria mais chances de comunicação.

não desejo morte em vida pra ninguém, muito menos pra mim. que me amo tanto.

o amor tem seu rosto. e assim me revejo todos os dias.


guardadas as devidas proporções, essa música me faz muito bem hoje:


"Como vai você ?
Eu preciso saber da sua vida
Peço a alguém pra me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber
Como vai você ?
Que já modificou a minha vida
Razão de minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você

Vem, que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao teu redor
Preciso tanto me fazer feliz

Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você"


nada como um Robertinho pra decifrar enigmas.


infinito à postos, mensagem postada.


beijo, me liga...


segunda-feira, novembro 02, 2009

a alegria de estar vivo em outra dimensão

eu saúdo vocês todos com essa canção:

o medo de amar e o medo de ser livre
fernando brant - beto guedes


O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção

O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar pra ficar

O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz


eles estão agora lá onde não há medo de ser livre, apenas porque eu quero que seja assim.
minha saudade chega a vocês todos como um beijo! um abraço! um sorriso!
todos os que eu poderia ter trocado com vocês fisicamente. agora, eu apenas sei que troco e sempre recebo ainda mais do que dou.
amo vocês todos meus mestres, meus irmãos, meus amigos!
estar onde se pode ser livre é a opção de vocês!
eu opto aqui mesmo, onde ainda não se pode nada, mas se constrói tudo.
inclusive a ponte de amor que me faz nunca esquece-los.


eu não curto alegria com hora marcada, nem tampouco tristeza e lágrimas num só dia.
mas hoje é dia de homenagens, já que o ser humano precisa limitar espaços.
essa é a minha.


estamos em Deus! estamos todos bem!

domingo, novembro 01, 2009

a_c_i_d_e_n_t_e

Sangue, tanto sangue fluindo vermelho, forte, intenso!

Fiquei meio hipnotizada olhando aquela vida jorrando da ponta do meu dedo.

Sem saber porque tanta pressa em fazer parar aquela cena tão linda.

Deus deve ficar muito extasiado nos olhando por dentro. A intensidade da corrente sanguínea, a pressa milimétrica para que tudo aconteça. Os enredos, a trajetória, a vida acontecida.

Eu tive mesmo vontade de ver o sangue todo fluindo. Ou poder mergulhar e ver mais de perto como tudo acontece.

Imagens passaram com tanta rapidez, o presente, as atitudes, as escolhas, o silêncio. Até pedir ajuda porque sozinha eu não dava conta.

Um segundo entre olhar a realidade e agradecer ao infinito por nada ter acontecido de pior.

Estamos vivos apenas porque tudo tá dando certo. É muito sutil. A esperança, a incerteza, o total mergulho na fé que é tão intensa e completa e plena quanto aquele vermelho que vi jorrar da minha mão.

E a vontade infinita que me deu de ir pro outro lado. O lado onde o sangue não importa e o que jorra de vida é algo que ainda não conheço mas percebo nas entrelinhas.

A vontade de viver também é transitória, mas é forte como a atitude de fazer aquela cena parar.

E tudo o mais é assim. Vida jorrando vermelha, intensa, forte, tudo acontecendo e dando certo.

Até e inclusive os imprevistos.

Por isso eu não deixo de me dizer todos os dias:

Faça tudo agora mesmo. Ame mesmo! Diga tudo quanto você quer, mesmo. Encontre a forma certa de agir. Mesmo.

E deixe seu sangue vermelho, vivo e intenso sempre do lado de dentro das veias.

Cada coisa em seu lugar.

quinta-feira, outubro 29, 2009

caio fernando abreu. você me apresentou, lembra?

"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha."

"Como seria bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada." 


"Preciso pegar minhas coisas e partir. Viajar, esquecer, talvez amar."



"Desligue a música, agora. Seja qual for, desligue. Contemple o momento presente dentro do silêncio mais absoluto."


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?"

quarta-feira, outubro 28, 2009

peguei carona em um amigo que postou essa maravilha hoje...

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

Hilda Hilst

sexta-feira, outubro 16, 2009

preu te fazer sentir o que eu quero e penso não ter eu teria de te contar minha história de vida.

coisa que ainda não fiz por pura falta de tempo e porque a gente tem a vida inteira pra ir se conhecendo aos pouquinhos, né?

mas se preocupa não. eu sei dessa capacidade. e ao mesmo tempo me sei inútil pra acessa-la num determinado assunto... mas isso é coisa pra noites de msn regadas a chocolate do teu lado e coca-cola com gelo do meu.

pelo menos até eu voltar aí e deitar do teu lado numa noite de estrelas enquanto a gente vai contando aos poucos os rosários que elas formaram em nossos dias...

teu pedido se realizou.

tou aqui

quinta-feira, outubro 15, 2009

Oração

Dani Black

Peço aos céus para me protegerem e eu não hei de ceder
Ao vazio desses dias iguais
Mal em mim nunca há de fincar
mel em mim nunca há de findar
Olhos nus e atentos aos sinais
Faço fé pra poder ver a vida há
de ser sempre mais

Peço aos céus para me defender de engolir o sofrer
Contato a vir a ter jamais
Com o invisivel que paira no ar ,
dos que querem ver sangrar
ilumine e que sigam em paz
Faço fé para poder ver a vida há
de ser sempre mais

Se acaso a peste a tempestade trouxer
Que ao aproximar de mim suma
Que no seu lugar nunca demore a brotar
A celeste semente do amor
Envolto por espirais num manto de azul lilás
Conserve meus bens vitais e calor
Cuide para crescer e enfim florescer
a flor de cristal sobre nossos quintais

vc pode ouvir aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=EpbjP2yPBbQ

quarta-feira, outubro 14, 2009

resposta instantânea

eu li no blog do Cleyton:

"Tá escrito em meu peito, lê: eu te quero."


Caraca!!!!!!!!!

Porque tu tinha de me lembrar logo de manha que eu já escrevi isso em meu próprio peito com meu próprio sorriso e quis na hora e hoje em dia não existe mais essa geografia entre meus dias?

ai, ai....

só tu pra trazer sorrisos em mim mesmo na lembrança da saudade...

saudade não é bem o caso. porque a sensação de presente existe agora mesmo quando lembro.

é difícil abrir mão de desejos né?

e encarar que o rio seguiu seu curso e o lugar que a gente possui no peito da outra pessoa já não é bem aquele que a gente quer. Ou quis. Ou teve.

ou apenas acreditou nas palavras que foram ditas.

ou nem sabe direito como é....

domingo, agosto 23, 2009

acordei pro dia de antes, amanhã.

ai que agonia dessa sensação de falta do vento que cria correnteza na água do meu rio da vida.

a estação de ficar na água estagnada, na seca, aquela sensação de estar vivendo onde a vida não vingava, já passou. já sou água limpa e a paisagem é outra, mas custa correr?

os fantasmas do passado me bateram a porta e os convidei a entrar.

pois não é que fiquei espantada que eles são bonitos, estavam vestidos com as roupas de coisas ótimas que vivemos juntos e eram simpáticos?

Gente. Gente dá o que tem pra dar. O que pode dar. E a gente recebe se quiser, quando pode. querer mais é apenas querer mais.

eu não aplicava isso a eles. a vida me mudou. e eu fiquei feliz.

mas tem essa dor de cabeça, esse pescoço dolorido, esse ombro que não relaxa.

justo metade de mim está presa e eu não sei como identificar o que tem me feito sentir assim.

acordo com a sensação de que venci quilômetros. cada sonho é um desprendimento. Cada sintoma é um medo largado de lado. tenho enfrentado meus demônios e os alheios enquanto durmo.

descansar? faz um tempo que não sei o que é isso.

mas saio com roupas novas, coloridas, desconhecidas, praticamente no ponto de ser vista sem tanto glamour.

meus olhos não identificam um brilho a mais, um carinho, um norte, algo que me leve adiante dentro de mim.

quero uma paisagem motivadora. não quero mais me envolver pra resolver problemas.

quero me envolver pra sentir vida acontecendo ali naquele vinho, naquela virada de time. mas não quero fugir dali no momento de dizer sim.

nem sei mais o que eu tou falando. ainda bem que ninguém me lê.

é difícil viver cheia de problemas, tanto quanto é difícil viver sem nenhum deles.

o impossível me acontece todos os dias e ainda assim continuo formulando, listando impossíveis.

quando será que vou acordar pro dia em que nada mais era como antes, amanhã?

eu dou chances ao que não sei enquanto sinto a dor ir embora, devagarzinho, como um avanço de sintonia.

eu confio.

eu confio.

eu confio.

e o rio da vida segue seu curso.

quinta-feira, agosto 20, 2009

raul você é muito!

eu sempre amei raul seixas. sempre amei o tão diferente enquanto tão igual.
sempre amei as buscas, a loucura, o exagero.
sempre a paz com aquela exigência, a pressa de ir além.
um dia ainda vou cantar tudo dele... eu vou sim

Gita
Raul Seixas
Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas

"Eu que já andei
Pelos quatro cantos do mundo
Procurando
Foi justamente num sonho
Que Ele me falou"

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado...

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar...

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar...

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou..

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição...

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada...

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar...

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim...

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor...

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo...

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão...

Euuuuuu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio

quarta-feira, agosto 12, 2009

me avisa quando eu for infantil?

Me avisa
quando eu for uma colagem mal feita
de tantos quantos já viveram comigo..

quando eu não mais for um espelho ambivalente
digno e prático..

Me avisa
quando me faltar o amor em palavras, pensamentos
e ação..

quando eu usar meu poder pra criar regras novas
num jogo que ninguém sabe jogar..

Me avisa
quando eu não escuto a distancia,
o silêncio, a zombaria..

quando eu for infantil e
te negar o direito de não ser tanto..

Me avisa
com quem andas para que eu me situe
em quem tu és..

quando eu já tão preso
aprisionar meu futuro num passado
que se perdeu de mim

Me avisa
quando as minhas palavras forem eco
de carinho empoeirado..

quando meu poema não é de verdade
um labirinto de palavras bem vestidas

Me avisa
quando for o tempo exato de parar com dogmas
e ser humana em frente ao mar

que não sou mar, nem vento,
nem terra, nem fogo

Me avisa quando o vício
e a incerteza baterem a porta

quando eu não souber viver sem eles
e me rebelar com meus amores e afetos

Me avisa
que não uso corretamente as palavras

quando sou tão correto
escravizo meu coração..

Me avisa
quando for o tempo de perdoar

que você não mais virá
quando eu mudar de endereço..

que eu habito a mim
e não posso fugir..

Me avisa
quando a única opção
for não optar..

ninguém vai nunca saber
quando isso acontece..

me avisa
que tuas dores
são tuas alegrias..

tua fraqueza a tua força

Me avisa
que não te encontro
procurando em mim..

de avisar que não estou em ti..

Me avisa
pra te acordar quando os dias acordarem

e te cantar pra dormir quando for noite..

Me avisa
que sou míope
e não diferencio as estações..

Me avisa
pra não lutar contra moinhos de vento
e me acarinhar por própria conta e risco..

Me avisa
que não posso ser
enquanto um guarda me sentencia a procurar..

Me avisa
que sempre existirá eu
contigo por dentro..

que teu rosto é leve

Me avisa
todos os dias
todos os dias
todos os dias

me avisa que é tempo de amar..

me avisa
não esquece

me avisa..

domingo, julho 26, 2009

compadecei-vos pois, é chegada a hora!

A essência da compaixão

Numa mesa de almoço, um avô percebe que a neta de onze anos está calada.
Subitamente, ela desaba a chorar e se dirige para outro aposento da casa.
O avô, intrigado, segue a neta querida, que já se sentava sobre o sofá da sala com a cabeça baixa.

O que foi, minha querida? O que aconteceu?

Vovô, quando vejo uma pessoa sofrendo eu sofro também. O meu coração fica junto ao coração dela...

O avô compreendeu que ela chorava porque se lembrava de alguém que estava sofrendo.

A menina, de pouco mais de uma década de vida, descobria ali a essência da compaixão.

Fernando Pessoa, através de Ricardo Reais, diz assim:

Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Nem distingue a memória do que vi, do que fui.

Aqui se encontra uma das marcas da nossa humanidade. – Proclama Ruben Alves.

Vejo algo fora de mim. Mas os meus olhos trazem o que está fora para dentro de mim.

Aquele arbusto – ora, aquele arbusto... Vegetal, nada tem a ver com o poeta. Mas os meus olhos o veem e percebem que ele está fenecendo.

Sou movido por uma imensa e irracional compaixão. Recolho o arbusto que fenece dentro de mim. E eu feneço também.

* * *

A compaixão tem tal poder, e por isso é agente supremo do amor na Terra. É através dela, inicialmente, que a caridade poderá se manifestar.

Precisamos estar no lugar do outro, sentir o que ele sente, e esse sentimento provocar em nós a urgência da ação.

A compaixão é diferente da pena. A pena é estática, distante, não exige envolvimento com o outro.

A compaixão, por sua vez, é dinâmica, proativa, e implica no envolvimento profundo com a vida alheia.

Em tudo quanto olha, ela fica em parte, sim.

Em tudo quanto olha, ela se identifica, pois não consegue se ver sozinha neste mundo. Ela enxerga muito mais o nós do que o eu.

É ela que está salvando este mundo. É ela que está acelerando a mudança para o bem que vem se operando na Humanidade nos últimos tempos.

É a agente da regeneração. Irmã bendita da caridade.

Sem ela a insensibilidade toma conta, congela, paralisa.

Sem ela somos apenas instinto de sobrevivência, sem sentimento algum.

Sem ela, estagnamos a evolução individual, pois sem envolvimento com o ser coletivo, o crescimento pessoal é limitado.

Compaixão... Tenhamos hoje esta virtude como meta.

Como anda o desenvolvimento dela em seu coração?

O que você pode fazer para colocá-la em prática hoje?

As oportunidades virão. Precisamos estar prontos para ela.

Sejamos agentes de transformação do mundo, de braços dados com a compaixão, sempre.


"O sapo que queria ser príncipe, de Ruben Alves, ed. Planeta."

terça-feira, junho 30, 2009

Comer, Rezar e Amar.

Hospedei minha amiga querida Memeca Moskovich no final de semana passado.

Conversa aqui, ali, cafezinho, comidinhas, carinhos, família reunida entre outras coisas de mundo profissional, urgências de decisões a serem tomadas, caminho aberto, livre entre outras coisas e ela me disse assim:

Não posso sair daqui sem te comprar um livro.

"Comer, Rezar, Amar

Elizabeth Gilbert"

Li todinho. De uma vez. Como acontece com os livros que gosto de ler. São pessoas. A gente senta vai conversando, se encontrando e lamenta demais quando eles terminam, porque parece que a pessoa tá indo embora. Mas livros são como as pessoas que a gente tem de vez em quando. Elas estão sempre ali ao alcance de um olhar.

Deus existe nas mais simples planilhas do dia a dia.

A minha busca é a mesma de Teresa D'Avila, de Elizabeth Gilbert, de Gandhi, de Jesus.

Claro, Jesus buscava tanto que nos encontra a todos ainda atônitos depois de dois mil anos.

Simples, original, nada dogmático. Gostei demais desse livro. Até escrever o meu. Como tenho feito todos os dias. Meus livro vivido. Testemunhado e muito bem cantado.

Me impressiono com os detalhes do amor semeado e cultivado neste mundo por um Deus que cria e é de fato "mestre e guru". Aquele que nos obriga amorosamente a caminhar sozinhos.

Quando o discípulo está pronto o Mestre Desaparece.

A energia amorosa é perdão e consistência. É pra sempre o que a gente quer, mas nunca é a paz de romances cor de rosa que a imprensa apregoa.

A energia amorosa é hoje mesmo tudo quanto tenho a mão. E é mais infinita amanha.

Eu me perdoo por todas as vezes que quis ensinar o amor.

Aprendi e sigo.

segunda-feira, junho 15, 2009

escrito em 26/09/08 - achei no rascunho...


que dificuldade tão grande essa que eu tenho em admitir minhas lentes multicoloridas.

admitir que vejo a vida com cores que muitas vezes ela não tem.

admitir que as paisagens e os olhos das pessoas são o que eles são e não o que vejo deles.

mas pra que admitir meu Deus? se todos querem as lentes que eu uso?

pra que se os textos são tão mais incompreensíveis assim?



escrito em 25/11/08 estava no rascunho...


sonhei que tudo estava resolvido.

o dia de hoje estava resolvido.

sonhei que tive coragem de me dizer não. sonhei que tive coragem de me dizer sim.

sonhei que largo meu vício para você largar o seu.

a estrada é solitária para quem enxerga com os olhos da matéria.

toda uma rede de amigos estão juntos tentando, pedindo, se esmerando para que eu esteja aqui agora mesmo.

domingo, junho 14, 2009

Meta

Nos tornamos sem paz quando não lembramos
da nossa meta ou do doador desta meta.
A meta é empacotar tudo e tornar-se pacífico.
Às vezes, em vez de lembrar da meta, lembramos
de outras coisas que nos tornam fracos.
Mas se há qualquer tipo de fraqueza não seremos
capazes de enfrentar aquilo. Mais e mais
situações virão para nós porque assumimos a
responsabilidade de transformar o mundo.
Nosso sinal é o de sermos inabaláveis, não importa
o quanto alguém tente nos fazer tremer.

Dadi Janki

domingo, junho 07, 2009

tarde de domingo

Época de hoje

ultima página - coluna da Ruth de Aquino sobre o acidente aéreo. Uma senhora de 48 anos que completou 25 de um casamento feliz no ano passado, perde o marido num infarto fulminante a 3 semanas. O filho de 23 que veio pro velório do pai, volta pra Paris no voo acidentado. a jornalista sem saber o que fazer recorre ao psicanalista Luiz Alberto Py para conseguir algum consolo. Ele diz o seguinte:

"O que a gente teve não perde. As lembranças estão dentro da nossa memória. Quando uma tragédia assim acontece, o que se perde é o prosseguimento, é o futuro. E o futuro é virtual, uma expectativa de algo que damos como certo, mas não é. Não se perde o passado. Isso pode parecer meramente racional e é, porque a emoção não se traduz. Não se perde alguém que existiu. O que se perde é uma expectativa. Isso não é consolo, mas pode ajudar a retormar a vida. Pensar não no que perdi, mas no que tive o privilégio de viver. O passado precisa ser uma referência para a gente se nutrir. E não para se lamentar. Há várias formas de conviver com a saudade."

Esse consolo tirou umas poeiras da minha cabeça e eu escrevi de imediato, sem saber onde iria parar:

E eu aqui pensando estar só neste processo de racionalizar o sentimento...

Nessa minha estranha pressa de não morrer em vida, fico pasma!

Vejo acontecer diante de mim uma batalha épica. Recheada de mitos. Só eu mesma pra ser capaz de vizualizar. Nada acontece por acaso na vida de ninguém. Muito menos os encontros.

Me retirei do campo de batalha antes mesmo de pensar sobre o assunto.

E fiquei junto de mim como a artilharia nos ouvidos de seu general.

--Senhor! Temos tudo para ganhar. Conhecemos o inimigo. O terreno. Podemos fazer o resgate em segurança. Nosso objetivo está em nossas mãos.

E o general respondeu:

--Não estamos mais em batalha.

Basta. Não há o que retrucar. apenas reconhecer e com o passar dos dias verificar o nível de confiança que temos no general.

Eu decidi a retirada antes de consultar as bases.

Descubro em mim uma infinitude de humildade, segurança, credibilidade.

Lutar contra tiranos é a batalha mais vil que o ser humano pode pensar em travar.

(É muito fácil passar a ser um deles)

Só o tempo.

Um povo se liberta de seu tirano com maturidade.

Eu me libertei com intuição.

Você se liberta por escolha. Tudo muito sábio, consciente e devagar. (demais pra minha paciência)

Mas eu aprendo. Já aprendi tanto!

Há sempre tanto a aprender.

O general em mim sabe que vai enfrentar o ódio da possível quebra de confiança, de quem devia ter, se sabia estar sendo libertado e não foi.

Para todos os fatos históricos há muitas leituras.

As manchetes nos dois países falam de baixas, perdas, mortes, aberturas de trincheiras e vitórias.

Mudamos de planeta quando perdemos alguém.

Mas eu sou aquele general aparentemente humilhado, feminino, por não seguir adiante.

Eu sei que morte, separação, crescimento, dimensões, são formas reducionistas de ver o todo.

Enquanto o tirano pensa que venceu eu rezo para que tudo aconteça da forma mais flúida e rápida.

As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam.

Não somos os únicos a optar. Nada em nós depende ou pode esperar pela vontade alheia.

Eu já entendi que o amor, o carinho e a segurança podem prejudicar tanto quanto a ausência deles.

Todos passamos por situações de ajuste.

Estou em paz com minhas escolhas por causa da fé.

Eu jamais desisti antes. A única separação que importa é a morte. A última das ilusões.

A confiança é o elo que não se quebra.

É a semente que replanta tudo quando a vida segue seu curso, a poeira das vaidades baixa e os generais repousam suas cabeças sobre o peso das opções que levam à mortes, vidas, abandonos, seguranças.

A história da humanidade acontece no meu jardim.

Só me resta a memória de jardineiro.




Virtudes

Se eu fico pensando sobre as fraquezas de alguém, posso ficar irritado. Me sinto aborrecido e fico imaginando: "Por que essa pessoa tem que ser desse jeito? Por que ela faz isso o tempo todo?" Por outro lado, se eu fico pensando sobre suas virtudes, começo a me sentir leve e fácil com minha mente. Então posso ser influenciado pela doçura dela. O mundo é um show variado e o papel de cada um é diferente.

Brahma Kumaris, Just a Moment, Mount Abu, 1996